CONHEÇA A ARTISTA #66 - FRAKTAL
"A palavra fractal significa um pedaço de um todo, uma digital de Deus, uma parte que você encontra em você e em outros seres vivos."
12/10/20253 min read


A'CRON: Quando e como foi seu inicio na musica e Porque o nome DJ FRAKTAL?
FRAKTAL: comecei a tocar em 2022, eu meu notebook e um sonho rs. Mas antes desse momento eu tive minhas inspirações dentro da minha própria família, minha madrinha é cantora, meu irmão faz rap, minha mãe ,meus tios e avós colecionavam discos, cds, dvds e pen drives gravados, com vários gêneros musicais que iam de Mc Marcinho à Gilberto Gil, Rihanna,The Fugees, Bob Marley.. Acredito que essa base permitiu que a Fraktal viesse pro mundo. Eu comecei a usar o vulgo Fraktal no grafitti/vandal.
Antes de ser DJ eu só pintava, mas usava o vulgo Beladona. Durante a pandemia eu senti a necessidade de mudar o vulgo e eu li a palavra fractal em algum lugar e achei a sonoridade massa, mesmo sem nem fazer ideia que viraria DJ, aí comecei a lançar nos muros “Fraktal”.
Na época eu morava com meu irmão no P7 e ele começou a montar um home studio no quarto, e isso atiçou minha curiosidade sobre produção, mix, master, e permitiu que eu aprendesse algumas coisas. Em resumo, a palavra fractal significa um pedaço de um todo, uma digital de Deus, uma parte que você encontra em você e em outros seres vivos.
A'CRON: Quais foram os principais desafios que você encontrcou ao seguir a carreira de DJ no DF?
FRAKTAL: Os principais desafios acredito que são os acessos, manutenção do trampo (pesquisa, equipamento, estudos, press kit, etc) , e conciliar com as outras áreas da sua vida.
Sendo uma mulher de periferia, antes de morar no DF (Samambaia), eu morei mais de 10 anos em Valparaíso, no entorno sul, e quando eu vim pra cá (2 anos atrás), eu percebi uma mudança muito forte em relação a oportunidades, desde ser convidada para tocar até o valor do cachê. Eu pude frequentar mais espaços, eu não tinha que gastar tanto com locomoção quanto eu gastava quando morava no Goiás, conheci mais artistas como eu.
Mas mesmo estando aqui, ainda é um corre. Ainda preciso fazer malabarismo com meu tempo para fluir as outras áreas da minha vida, que é ser pedagoga, atriz, poetisa, produtora cultural, filha mais velha, dona de casa que mora só, por aí vai.
A'CRON: Como VOCÊ enxerga a cena da produção cultural no DF e quais são as suas maiores REFERÊNCIAS?
FRAKTAL: Eu acredito que a produção no DF se divide em dois: as produções underground e as produções do eixo que tem dinheiro. Eu fico muito feliz de ver produções independentes crescendo e ganhando mais espaço, fazendo acontecer, se formalizando, captando recursos e etc. mas também me entristece a falta de compromisso que alguns produtores do centro tem com os artistas periféricos, eu sinto que ainda não somos levados a sério, e constantemente na nossa cabeça roda a frase: “você tem que ser 3 vezes melhor”.
As minhas referências vêm de pessoas que vieram do hip hop, do underground Dj Jake, Savana, Kalm, Duda Siqueira, Under, Bruna Paz, Nativa, Grijo, Aka Pedrin, Cryme Company, Loba, as mulheres do coletivo Corpo encruza , Nyna Cardoso, Mariana Franscisquini, Ramona Jucá, Cio das artes, Família Rum Black, Tupãira Tapuia, Micaele La Loba.. muitos irmãos e irmãs de caminhada.






Imagens - Ramona Juca
