CONHEÇA A ARTISTA #71 - LET DA CEI

"Uma mina de quebrada que rompe as barreiras da música clássica, atravessando fronteiras e ressignificando-a na música periferica."

1/15/20262 min read

A'CRON: Como e quando foi o seu início na arte ?

LET DA CEI: Desde muito pequena, sempre tive uma forte conexão com a música e a dança, passando horas assistindo a videoclipes e me encantando com as possibilidades artísticas. Aos 11 anos, ingressei na Escola Parque Anísio Teixeira, onde tive meus primeiros contatos mais estruturados com a dança, o teatro e a música. Nesse período, iniciei meus estudos em violoncelo.

Posteriormente, com o incentivo fundamental do meu pai — que sempre apoiou minha trajetória artística —, ingressei na Escola de Música de Brasília, onde cursei tanto o curso básico quanto o técnico, qualificando minha formação musical.

A'CRON: Quais foram os principais desafios que você enfrentou para se firmar como uma multiartista?

LET DA CEI: Inicialmente, meu principal desafio foi encontrar referências artísticas que dialogassem com o que eu desejava construir: a fusão entre o instrumento clássico e a música popular para evidenciar a historiedade da cena underground. Além disso, enfrentei — e ainda enfrento — o desafio de ser uma mulher preta e periférica em um meio que carece de representatividade e de espaços de pertencimento. Essa realidade impacta diretamente minha trajetória, exigindo que eu desenvolva de forma independente não apenas minha produção artística, mas também todos os processos que a envolvem.

Um desafio recorrente é o custo do instrumento, que raramente se reflete de forma proporcional nos valores pagos, tornando ainda mais complexa a caminhada sem o apoio de uma produtora.

A'CRON: Como você enxerga a cena do Distrito Federal e quais referências você tem da cidade?

LET DA CEI: Vejo a cena como um ambiente composto por diversas bolhas, muitas vezes fechadas e de difícil acesso. Como mulher preta tocando violoncelo, um instrumento pouco convencional nesse contexto, percebo que ainda existe uma resistência ao novo, tanto em relação às propostas estéticas quanto aos corpos que as apresentam. Essa resistência acaba limitando a diversidade e o diálogo dentro da cena, mesmo diante de seu grande potencial criativo.

Minhas referências nascem de encontros profundos com a música e com quem a transforma em linguagem viva. Pratanes é uma delas — a forma como constrói suas canções, o cuidado com cada detalhe e a força do seu processo criativo fazem da sua música um lugar de excelência e inspiração constante.

Isa Marques também me atravessa: seu jeito, seu estilo e o rap que ela carrega me fascinam, como quem encontra verdade e identidade em cada verso.

Mar Nóbrega é presença antiga no meu caminho. Acompanho seu trabalho há muitos anos, e ver o violoncelo ocupar a música popular através de suas mãos me toca profundamente — é a confirmação de que o instrumento também pode cantar outras histórias.

Zapatta Prn surge como memória e espelho. Conheci-o na escola de música, e desde então sua representatividade ecoa em mim: na força do instrumentista, na sensibilidade do compositor e na potência do rapper que transforma vivência em som.