EMPREENDEDORISMO, DIREÇÃO DE ARTE, E AS REFERÊNCIAS DE JP SANTOS

Viver novas experiências é a melhor forma de combater o bloqueio criativo, é onde a gente tem novas possibilidades de enxergar o mundo, coletar informações.

12/28/20253 min read

A'CRON: Como foi seu início no empreendedorismo?

JP SANTOS: Desde criança eu vi meus pais empreenderem de tudo quanto é forma para completar a renda. Desde revender roupas femininas, marmitex nos ministérios ou ate dindin gourmet. Acho que por tudo que eu vi meus pais fazendo e toda correria que eles vivenciaram durante a minha infância, o empreendedorismo foi na verdade uma consequência pra mim.

Com 16 anos eu decidi criar minha própria marca, mas eu não acho que aquilo foi o empreendedorismo chegando de primeira. O empreendedorismo veio mesmo depois que eu lancei minha primeira coleção e gastei o dinheiro quase todo kkk. Foi aí que eu percebi que precisava de uma gestão e que com 17 anos seria um grande desafio.

A'CRON: Quais foram os principais desafios que você enfrentou para desenvolver sua direção artística?

JP SANTOS: Para ser sincero, o maior desafio é o mercado. O maior desafio para alguém que se expressa de forma artística, seja como for, é se comparar com o que já está consolidado no mercado, é quando a sua paixão acaba virando muito trabalho e você precisa se encaixar no que o mundo nos faz acreditar que é o certo a se fazer, o que é comercial.

Eu não vim de berço, então cada coleção era All In, então por mais que a Off Shadow fosse um reflexo do que eu vivo e sou, minhas criações ainda foram de certa forma afetadas pela ansiedade, pela necessidade de “dar certo”.

A'CRON: Como você lida com o bloqueio criativo?

JP SANTOS: Eu tô aprendendo cada vez mais a respeitar meu processo criativo, pois ele é muito espontâneo. Eu não acordo todo dia com uma ideia nova pra botar em prática. Eu gosto de sempre estudar sobre novos assuntos, principalmente fora do ramo da moda, para ter novas inspirações.

Viver novas experiências é a melhor forma de combater o bloqueio criativo, é onde a gente tem novas possibilidades de enxergar o mundo, coletar informações. Eu gosto de ter um tempo sem me forçar a criar nada, pois uma hora ou outra, a inspiração sempre vem.

A'CRON: Quais foram as suas referências no DF e no Mundo para o desenvolvimento do seu trabalho?

JP SANTOS: No DF, eu posso dizer que a minha referência foram meu pai e minha mãe. Foram eles que me fizeram entender que era possível empreender, eles que me ensinaram os primeiros passos dentro desse mundo, literalmente hehe.

No mundo, é impossível eu negar a importância do Virgil Abloh para a forma como eu levo meu trabalho, e não no sentido estético, mas sim na forma como ele via o mundo, como o propósito dele era muito maior do que apenas fazer roupas. Ele foi a voz para muitos que antes não sabiam nem que podiam falar.

Dentro da música, o BK segue sendo a minha maior referência, ainda não sei explicar qual figura ele representa para mim, mas tudo que ele escreve, parece que impacta em algum lado do que eu estou vivendo ou projetando.